DINÂMICA DEMOGRÁFICA REGIONAL
A região no Estado
Em 1980, 1991 e 2000, a Região de Irecê se colocou, respectivamente, como
a 14ª, 13ª e novamente 14ª região de maior peso proporcional na composição
da população baiana. Em termos absolutos, seu contingente demográfico
aumentou no período e seu peso proporcional em relação ao Estado se
manteve praticamente inalterado (de 2,92% em 1980, para 2,85% em 2000).
No período em análise neste estudo, 1980 a 2000, a população da Região
de Irecê teve um aumento absoluto de 96.781 indivíduos, o que fez elevar a
densidade demográfica regional de 10.6 hab./km2 para 14,3 hab./km2 – bem
abaixo da média baiana para 2000, que foi de 23,16 hab./km2. Pode-se dizer com isso que
– proporcionalmente às dimensões territoriais –
tanto o Estado da Bahia como a Região de Irecê são bastante rarefeitos em
termos demográficos. Na região, este fenômeno é ainda mais intenso e
parece
indicar que a dificuldade em povoá-la persiste como um problema histórico.
Assim, no ano de 2000, com 26.051 km2, a região de Irecê ocupava, em
relação às demais regiões econômicas do Estado, a 11a posição tanto em
extensão territorial como em densidade demográfica. É importante destacar que
a região teve uma dinâmica demográfica diferenciada
em relação ao conjunto do Estado da Bahia nos períodos 1980-1991 e
1991-2000. No primeiro período, seu crescimento médio anual, de 2,47%
ao ano, superou o da Bahia, que foi de 2,09% ao ano. Em ambos os casos, o
crescimento demográfico esteve na faixa em que não ocorreram nem perdas
nem ganhos demográficos significativos. Em 1991-2000, no entanto,
a situação mudou. Tanto o Estado como a região
diminuíram seu ritmo de crescimento, porém com dinâmicas distintas. O
Estado, com uma taxa de crescimento de 1,08% ao ano, continuou na situação
em que não ocorreram perdas nem ganhos demográficos significativos,
enquanto a região de Irecê, com um crescimento de 0,36% ao ano,
cresceu por emigração líquida. A diminuição do ritmo de
crescimento demográfico tanto para o Estado como
para a região decorreu, dentre outros fatores, de um acentuado e
sistemático
declínio dos níveis médios de fecundidade, observado em todas as camadas
sociais e locais de residência, especialmente a partir dos anos 1970. Entretanto, na Região de
Irecê, a passagem de uma situação em que não
ocorria nem perda nem ganhos migratórios significativos (1980-1991) àcondição de perda líquida
de população (1991-2000) indica que tal redução
não ocorreu apenas devido ao arrefecimento do crescimento
vegetativo daquela população. Tal mudança de tendência do crescimento
demográfico está atrelada às mudanças na dinâmica socioeconômica
da região, que, como se observou, sofreu um processo de retração das
principais atividades econômicas ali desenvolvidas a partir de fins da
década de 1980. Isso ficará mais evidente quando forem analisados o
crescimento urbano e o rural. O Estado da Bahia e a
Região de Irecê apresentaram a mesma tendência de
crescimento urbano e rural. Assim, para a zona rural no período 1980-1991,
tanto o Estado da Bahia (0,11% ao ano) como a Região de Irecê (0,94% ao
ano) cresceram por emigração líquida. No período seguinte, 1991-2000, a
Bahia (-2,37% ao ano) e Irecê (-1,34% ao ano) tiveram perda absoluta de
população. Enquanto o crescimento da
zona rural foi marcado pela tendência de perda
de população, a zona urbana do Estado da Bahia e a da Região de Irecê
tiveram tendência contrária, crescendo por imigração líquida. Em 1980-1991
a Bahia cresceu a 3,79% a.a. e Irecê a 4,61% ao ano. No período seguinte
1991-2000, houve queda nos ritmos de crescimento: a Bahia cresceu a 2,5%
a.a. e Irecê a 2,87% a.a. Nota-se que nos dois períodos em foco o
crescimento
regional urbano foi superior ao estadual. Do exposto acima pode-se
inferir o seguinte: no primeiro período (1980-
1991) a Região de Irecê cresceu sem ganhos nem perdas significativos. A
zona rural teve emigração líquida, com esse fluxo se dirigindo, ao menos
em
parte, à zona urbana, que por sua vez cresceu de forma intensa.
No segundo período (1991-2000), a Região de Irecê teve perdas líquidas de
população. A zona urbana continuou registrando alto crescimento; a
população
rural registrou intensificação de suas perdas, no entanto, em virtude
das alterações efetuadas nas zonas urbanas e rurais, citadas
anteriormente,
não foi possível quantificar ou qualificar tais alterações. Quanto ao grau de
urbanização a Região de Irecê passou de um nível de
urbanização de 37,36% em 1980 para 46,9% em 1991 e finalmente 58,7%
no ano 2000. Contudo, o aumento do grau de urbanização no período
1991-2000 se deu, em parte, devido ao aumento das áreas consideradas
urbanas. Entretanto, a despeito do
intenso processo de urbanização verificado, o
grau de urbanização regional manteve-se muito inferior ao estadual em
todo o período observado, que foi de 49,29% em 1980, 59,12% em 1991
e 67,12% em 2000. Em relação as demais regiões econômicas da Bahia a
Região de Irecê ocupava o 7o grau de urbanização em 1980, 9a em 1991 e
8a no ano de 2000.Distribuição da população,
área e densidade demográfica
As densidades demográficas municipais são muito baixas (Tabela 1). Irecê,
o
município de maior população, detinha também a maior densidade – com
171,45 hab./km2 – sendo o único a apresentar valor superior a 50 hab./km2.
Para Ampliar, Clique na figura.Com densidades maiores
que 40 e inferior a 50 hab./km2 estavam Presidente
Dutra e Central. Na classe maior que 30 e menor que 40 hab./km2
estavam
Lapão, Canarana, Barro Alto e Ibititá. Na classe maior que 20 e menor
que
30 hab./km2 estavam Mulungu do Morro, Uibaí e América Dourada. Na classe dos
municípios com menos de 20 hab./km2 ocorreu uma heterogeneidade
de situações que variou entre Jussara, com 19,34 hab./km2, até
Gentio do Ouro, com 2,77 hab./km2, e Itaguaçu da Bahia, a menor
densidade
demográfica regional com apenas 2,47 hab./km2. Os demais municípios
presentes nesta classe foram Barra do Mendes, Cafarnaum, Ibipeba, João
Dourado, São Gabriel, e Xique-Xique. Os maiores territórios
municipais pertencem a Xique-Xique, abarcando mais
de 1/5 da área regional (22,9%); Itaguaçu da Bahia, com 17,5%, e
Gentio do
Ouro, com 14,1%. Os menores – Irecê e Presidente Dutra – detém,
respectivamente,
apenas 1,3% e 1,1% da área total.Principais
tendências do crescimento demográfico na Região de Irecê
Mais acima analisou-se o crescimento demográfico da Região de Irecê
com
base nas hipóteses explicitadas no texto de Muricy, presente nesta
publicação,
contextualizando-as em relação ao Estado da Bahia. Agora, essas
hipóteses
são utilizadas para a análise do crescimento demográfico dos
municípios
da Região de Irecê, nos períodos 1980-1991 e 1991-2000, fazendo-se
referência desta vez ao crescimento regional. Para tal finalidade os
municípios
foram divididos em três grupos, de acordo com as taxas de crescimento
demográfico. Viu-se anteriormente
que o período 1980-2000, na Região de Irecê, foi marcado
por tendências contrárias. No primeiro (1980-1991) a região situou-se
em faixa de crescimento em que não ocorria nem perdas nem ganhos
demográficos
significativos, passando no período seguinte (1991-2000) a registrar
crescimento sugestivo de emigração líquida. Como resultado,
verificou-se que no período 1980-1991 alguns municípios
tiveram crescimento imigratório líquido e em nenhum ocorreu perda
absoluta de população. Já no período 1991-2000 nenhum município teve
crescimento imigratório líquido, enquanto alguns perderam população de
forma absoluta. Assim, entre
1991-2000, como pode ser observado na Tabela 2 e Cartograma
2, existiriam três classes de ritmo de crescimento demográfico. Na
primeira,
não teriam nem perdas nem ganhos migratórios líquidos significativos
os municípios que apresentaram taxa de crescimento demográfico de
1 a 1,99% a.a. Foram eles: Lapão, que manteve a mesma tendência em
relação ao período 1980-1991, Cafarnaum, Central e Jussara, que no
período
precedente tiveram emigração líquida e, portanto, passaram de uma
situação de perdas demográficas para outra de nem perdas nem ganhos
migratórios. Irecê, Xique-Xique e Mulungu do Morro, que no período
anterior
tiveram imigração líquida, arrefeceram seu patamar de crescimento ao
passar de uma situação de ganhos demográficos à outra de sem perdas
nem ganhos migratórios. A segunda classe é
representada pelos municípios com emigração líquida,
ou taxas de crescimento demográfico de 0 a 0,99% a.a. em 1991-2000 e
que perderam população, embora sem diminuição de seu contingente.
Foram
eles: Uibaí, que no período precedente não teria perdas nem ganhos
migratórios líquidos significativos, São Gabriel e América Dourada,
que cresceram
por imigração líquida, revertendo suas tendências de crescimento, e
por fim Ibititá e Barro Alto, que anteriormente tiveram emigração
líquida e
mantiveram a mesma tendência nos dois períodos.
Para Ampliar, Clique na figura.
Por fim, na
terceira classe estavam os municípios com perda absoluta de
população no período 1991-2000, ou taxas de crescimento demográfico
menor que 0% a.a. Foram eles: Gentio do Ouro e Itaguaçu da Bahia, que
anteriormente teriam crescido sem perdas nem ganhos demográficos
significativos;Presidente
Dutra e Barra do Mendes, que antes tiveram emigração
líquida e, portanto, intensificaram as perdas. Por fim, os três municípios
João
Dourado, que no período anterior cresceu sem perdas nem ganhos migratórios
significativos, Canarana e Ibipeba, que, entre 1980-1991, cresceram por
imigração líquida. Esses municípios reverteram suas tendências de
crescimento,
passando de uma situação de ganhos para outra de perdas demográficas
absolutas.
Cartograma 02
Crescimento Demográfico da População Total
por Município
Região Econômica Irecê - BA, 1980 - 2000 Para Ampliar, Clique na figura.
A Tabela 3
mostra a evolução do peso proporcional de cada município,
evidenciando que, em termos demográficos, os dois municípios mais
populosos
da região tiveram, em conjunto, sempre mais de 20% da população
regional. Dessa forma, Irecê, com 57.360 moradores, concentrava 15,4% da
população da região, em 2000. Foi o único município que contava com
mais de 50 mil habitantes. Em seguida, Xique-Xique, com 44.592 moradores,
representou 12% da população regional. Havia apenas dois municípios
com mais de 20 mil e menos de 30 mil habitantes, representando 12,4% do
total. Os quinze municípios restantes, com mais de 10 mil e menos de 20
mil
habitantes, totalizavam 60,2% da população total.
Para Ampliar, Clique na figura.
A mesma
tabela permite ainda verificar que os pesos relativos dos municípios
têm amplitude de variação pouco expressiva e não sofreram alterações
significativas de um censo a outro. A seguir
apresentam-se as tendências de crescimento demográfico nos espaços
urbano e rural da Região de Irecê. Entretanto, é importante destacar que
as alterações efetuadas nesses espaços comprometem uma análise mais
apurada
do crescimento urbano e rural. Isto porque para a realização do Censo
Demográfico 2000, o IBGE reajustou alguns limites das áreas urbanas da
Bahia – avançando sobre as rurais –, bem como criou novos distritos. Estas
mudanças afetaram cerca de 62% dos municípios do Estado.
Grau de urbanização e tendências do crescimento urbano No segundo
período (1991-2000), podem ser destacadas duas causas principais
para o processo de urbanização. A primeira diz respeito ao reajusta-mento das
áreas urbanas, que avançaram sobre a rurais, o que aconteceu
em 15 num total de 19 municípios existentes na região. A segunda e, ao
que parece, a mais significativa, foi a estagnação econômica regional
iniciada
em fins da década de 1980, posto que uma economia decadente,
com bases rurais, dificulta a permanência de contingentes populacionais
na zona rural, acelerando, dessa maneira, o processo de saída da população
do campo. A
observação das taxas de crescimento da população urbana e rural parecem
reafirmar a tendência de saída da população do campo para a cidade.
As taxas de crescimento da população rural serão vistas em seguida. Quanto
à população urbana da Região de Irecê, registrou crescimento nos períodos
1980-1991 e 1991-2000, em faixa indicativa de ganhos imigratórios.
Entretanto,
ocorreu uma diminuição no ritmo de crescimento do primeiro (4,61%
a.a.) para o segundo período (2,87% a.a.). De acordo
com o ritmo de crescimento urbano municipal no período 1991-
2000, os municípios da Região de Irecê podem ser divididos em dois grandes
grupos, como pode ser observado na Tabela 4 e Cartograma 3.
Para Ampliar, Clique na figura.
Cartograma 03
Crescimento Demográfico da População Urbana
por Municipio
Região Econômica Irecê - BA 1980 - 2000
Para Ampliar, Clique na figura.
Todavia,
apenas os municípios sem alterações em sua base espacial puderam
ser analisados. Foram eles: Ibititá e João Dourado, que arrefeceram seus
ritmos de crescimento, mas se mantiveram na classe dos que cresceram por
imigração líquida. Itaguaçu da Bahia, que também estava nessa faixa de
crescimento no período 1991-2000, reverteu sua tendência de crescimento
demográfico urbano, pois no período precedente crescia por emigração
líquida.Por fim,
Xique-Xique, que em 1991-2000 estava na classe indicativa
de crescimento sem perdas nem ganhos migratórios significativos, arrefeceu
seu crescimento pois no período anterior teria ganhos imigratórios
líquidos. O grau de
urbanização da Região de Irecê no período 1980-2000 (Tabela 5)
refletiu o maior crescimento da população urbana em relação à rural. Ainda
assim, o peso da população rural foi muito significativo, considerando-se
que a região só passou a ter população urbana superior a 50% da população
total no ano de 2000.
Para Ampliar, Clique na figura.
Nesse
ano, dez municípios tinham mais de 50% da população total vivendo
em áreas urbanas, como pode ser visto na Tabela 5 – ou seja, quase
metade
dos municípios da região caracterizavam-se pelo predomínio do
contingente
rural. Irecê era o município mais urbanizado, com 92% dos habitantes
vivendo em meio urbano.
Tendências do crescimento regional rural
As observações acima, referentes à zona urbana, estendem-se à zona
rural.
Desse modo, apenas Ibititá, Itaguaçu da Bahia, João Dourado e
Xique-Xique
foram aqui analisados. Desses, todos tiveram perda absoluta de
população
no período 1991-2000, como pode ser observado na Tabela 6 e
Cartograma
4. Considere-se, porém, que João Dourado e Ibititá também
apresentaram
perdas absolutas no período anterior, enquanto Xique-Xique teve
crescimento
sem perdas nem ganhos migratórios significativos e Itaguaçu da Bahia
cresceu
por imigração líquida, invertendo, dessa maneira, o ritmo de
crescimento
demográfico de um período ao outro.